The Tarantino Experience

Data: 2009
Número de Imagens: 10
Dimensões: 50 x 40 cm

A convite do Clube de Cinema “8 e Meio” da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, e integrado no projecto “Histórias do Cinema” (que pretendeu apresentar uma mostra de trabalhos originais, construídos a partir da memória ficcional de filmes seleccionados por convidados de diversas áreas profissionais) ergueu-se a necessidade de representar, pela Fotografia, uma ligação afectiva a uma obra cinematográfica que, de alguma forma, pode assumir o lugar de “Filme da Minha Vida”.
A provocação de traduzir num suporte diferente um objecto que, já em si, é uma obra conceptual, e o exercício de identificar uma produção que guarde, no seu todo, as características que a permitam transformar-se numa referencia para alguém que lida diariamente com narrativas de índole Audiovisual, é por si só um exercício quase irrealizável. Mas a verdade é que num determinado momento a Arte Cinematográfica alcançou um peso que lhe permitiu exercer influência sobre a minha maneira de ser e de estar, e nesse momento fui confrontado com um filme que, mais que todos os outros, me fez olhar para o Cinema como uma plataforma capaz de introduzir Ideias na realidade.
A obra chamava-se “Pulp Fiction”, era apresentada por Quentin Tarantino no ano de 1994, e contava a história de dois assassinos profissionais, um boxeur, a mulher de um gangster e um casal de assaltantes que se cruzavam dentro de quatro histórias de violência, narradas então com uma nova linguagem cinematográfica.
Três anos volvidos aparecia “Jackie Brown”, mas antes tinha já procurado outras incursões de Tarantino pelo universo cinematográfico, e encontrei em “Reservoir Dogs” um primeiro filme que deixava muito a apetecer, e que me prenderia para sempre à obra deste autor.
Desta forma poder-se-á dizer que é “Pulp Fiction” o chamado “Filme da Minha Vida”, por ter despertado o meu interesse para a carreira de um realizador. Mas, mais do que a singularidade de um filme, foi a experiência “Tarantino” que no fundo tocou a minha existência, e por isso uma série, em vez de uma imagem, para responder ao desafio proposto pelo Clube de Cinema.
“The Tarantino Experience” surge como uma representação da maneira como o Cinema conseguiu alterar (ou fazer observar) a minha realidade, e deve funcionar ao mesmo tempo como um tributo à obra do autor. E daí, remeto-me para a outra questão, apresentada atrás no texto: o acto de traduzir em forma conceptual a conceptualidade de um realizador.
Com 14 anos, a certificação para maiores de 18 de “Pulp Fiction” só me permitia ver o filme num ecrã de televisão. Nessa altura já “Reservoir Dogs” tinha passado ao circuito de VHS. Também “Jackie Brown” foi visto no mesmo lugar dos dois anteriores, e só com a estreia de “Kill Bill” assisti à obra de Tarantino numa sala de Cinema. Mas mesmo este, como todos os posteriores (que começaram a chegar mais rapidamente à Internet que ao circuito comercial) seria visto com mais minúcia no conforto do meu sofá. A minha experiência “Tarantino” teve lugar numa almofada, agora vincada e desgastada pelo tempo, e é esse o lugar que agora coloco à disposição dos que se quiserem sentar, e apreciar a televisão com a obra do autor.