Rugas

Data: 2008
Número de Imagens: 12
Dimensões: 45 x 45 cm

Esta série de imagens nasceu de uma simples premissa que tenta estabelecer um paralelo, profundamente constatado, entre o Homem e aquilo que consideramos ser a Matéria Orgânica.
Os elementos escolhidos: as folhas de uma árvore (abundantes, incógnitas e policromáticas - simples) contrastam, mas ao mesmo tempo caminham agregadas a um conjunto de silhuetas humanas (enigmáticas, monocromáticas, de largo espectro etário e com diversidade de género – complexas). Um profundo contraste que revela a Natureza dos dois elementos: a sua existência enquanto seres-vivos. E como seres vivos que são, os dois nascem, envelhecem e morrem carregando consigo as marcas de todo o processo.
Toda a matéria orgânica, na qual temos que incluir por ordem da Ciência, o Homem, sofre um processo natural de resistência ao tempo que escolhemos nomear de “envelhecimento”. Nestas imagens, as folhas recolhidas num passeio costumeiro emprestam os seus veios marcados e esvaídos, à ilustração dos processos de mutação de cor, textura e forma que afectam o Homem ao longo da sua vida. A mudança de cor na pigmentação da pele, a alteração da textura dos nossos corpos. A mudança da nossa postura ou até, por vezes, o decréscimo das nossas capacidades intelectuais.
E tudo para que depois de atingido o zénite de todo o processo, as marcas do tempo e as marcas da expressão passem a ser o âmago da verdadeira identidade – as Rugas que estabelecem a definição.