Over a Silly Rubber Nose
Data: 2008
Número de Imagens: 10
Dimensões: 50 x 50 cm
A par do aparecimento do processo fotográfico em meados do século XIX, e respondendo a necessidades que perduram desde esse tempo, o Retrato estabeleceu-se como um género maior dentro da Fotografia. Tendo sido talvez o principal impulsionador e aquele que mais despertou o desenvolvimento de questões técnicas e processuais dentro desta prática, são ainda hoje muitos os fotógrafos que em todo o mundo recorrem ao Retrato como meio de subsistência, pelo que não surpreende o facto de que as variações conceptuais à volta deste género tenham sido utilizadas por um elevado número de “artistas” durante os seus processos criativos.
Sob o trabalho que envolve o Retrato recaem alguns dos maiores nomes de fotógrafos de todos os tempos. E se considerarmos o Retrato na sua essência, como algo que mostra ao outro aquilo que é determinado assunto (relativo ao Homem), então muitos dos géneros fotográficos podem ser incluídos dentro da prática retratista, pelo que serão raros no mundo moderno os fotógrafos que podem afirmar não recorrer a esta categoria.
Desta forma, a Fotografia de Retrato é aquela que se pode afirmar como o Género Fotográfico por excelência, e será à volta do mesmo que continuaremos a ver mais variações nos tempos que hão de vir. A Fotografia aspira antes de mais, à transmissão de conhecimento e de experiências, e qual será a melhor informação senão aquela que diz respeito à condição humana – inata ou interpretada.
Foi em busca de um Retrato que parti para este projecto, mas interessava-me também observar e representar uma consequência que efectivasse uma experiência indivual, e que fosse ao mesmo tempo o resultado esteriótipado de uma experiência individual dentro da espécie – representar um comportamento e ao mesmo tempo um lugar comum que se baseasse nesse procedimento.
Com o auxílio de um nariz de borracha, associado tantas vezes aos palhaços que povoam a nossa imaginação, e permitindo que por momentos as pessoas tomassem o lugar de personagens em frente da minha câmara, fui prendendo, imagem atrás de imagem, as reacções que o objecto despertava.
O resultado não é tanto revelador, como poderiamos esperar, mas mais uma consequência antecipada que resulta de um processo auxiliar de um retrato. No fundo, apenas um comportamento previsto (a reacção de quem está por trás de uma máscara que associamos ao riso e ao escárnio) de uma pessoa que aceita expor-se perante uma câmara, para se deixar retratar sob uma forma que é alternativa a muitas que experimentamos durante a nossa vida. Uma maneira diferente de se ser retratado, desta feita por uma visão escolhida pelo autor.









