Keep Moving

Data: 2001
Número de Imagens: 25
Dimensões: Variáveis

Quando a 07 de Janeiro de 1839 a Fotografia foi registada na Academia das Ciências, estava-se então muito longe de pensar que tal invenção viría algum dia a ser considerada uma forma de Arte. A verdade é que isso aconteceu, e como em todos os meios artísticos, também na Fotografia se abandonou muito rapidamente a contemplação e o predomínio da captura inconsciente da realidade dando lugar à reflexão do mundo físico e psicológico.
A par deste desenvolvimento conceptual fomos assistindo a uma crescente divulgação do suporte técnico fotográfico. Longe vão os tempos onde simples gestos como o de tirar ou ver uma fotografia faziam parte de um ritual estranho e utópico que estava apenas ao alcance de alguns, e qualquer um de nós pode hoje (quer pela sua magia ou por simples necessidade) utilizar uma câmara fotográfica.
Partindo destes dois principios, e observando a contêmporaniedade, penso estar a falar verdade quando digo que qualquer indivíduo tem nos dias de hoje a possibilidade de observar e captar imagens, reflectindo sobre a sua realidade – qualquer pessoa pode transformar ideias em imagens.
Foi com esta ideia que parti para as fotografias que fazem parte deste projecto. Queria construir imagens do real, impulsionado pela ideia de reflectir sobre o mesmo, e assim decidi optar por um estudo do mundo físico – a dissecação do Tempo.
Quando nos dizem que precisamos de 25 imagens por segundo para termos um filme com movimento, ou que pudemos usar na Fotografia velocidades de obturação na ordem dos milésimos de segundo, ficamos com a ideia de que a noção de Tempo é muito relativa. Será que o Tempo é realmente linear como acreditamos que seja? Será que ao mover a minha mão para cima e para baixo ela se move realmente? Ou será que aquilo que vê-mos é apenas um conjunto de pequenos saltos – de matéria parada – que induzem o nosso inconsciente à lineriaridade de movimento?