As Músicas do Meu Avô
Data: 2008
Número de Imagens: 64
Dimensões: 45 x 60 cm
Francisco Regufe nasceu em 1934. Filho de pai pescador e de mãe “peixeira”, não chegou a acabar a escola primária. Foi aprendiz de sapateiro enquanto novo, experimentou a vida no mar e emigrou para a Venezuela em 1956 – um ano depois de se ter casado. Trabalhou na construção civil, e entre visitas ao país de origem viu nascer duas filhas que tentou levar consigo para o estrangeiro. A tentativa saíu frustrada, e a família voltou novamente para Portugal, a tempo do nascimento de um terceiro filho.
Para estar mais perto de casa, ainda tentou mudar-se para França, onde estavam emigrados dois dos seus seis irmãos, mas a sorte não lhe foi favorável, e viajou novamente para a Venezuela, onde ficou até 1986.
Ao voltar definitivamente para a sua cidade natal, trouxe consigo as poupanças para comprar uma casa onde hoje mora, no Sul, e reencontrou nesse bairro a ligação com as cantigas populares que tinha vivido enquanto solteiro no Rancho Poveiro. Começou por escrever marchas, viras e rusgas, e quando deu por si já fazia parte do coro do Bairro Sul que cantava as suas letras.
Mais de uma década depois trocou o Sul pelo Norte, o bairro onde nasceu. Fez ainda parte das Tricanas Poveiras e do Rancho Caxineiro. Em meados de 2006 deixou de cantar.
Quase 20 anos depois de ter começado a escrever, é um dos compositores mais acarinhados da Póvoa de Varzim. As suas músicas despoletaram amizades em todos os bairros, e é raro o poveiro que nunca tenha tautereado um verso escrito por si.
Neste momento, a caneta já não lhe serve. As mãos já lhe falham, e é com a ajuda de um gravador que não deixa morrer o engenho.
Estas imagens mostram o seu arquivo pessoal. Folhas escritas à mão, à maquina, copiadas ao computador; fotocópias das letras entregues aos cantores e às cantadeiras, num total que ultrapassa os 60 originais. Ele diz que tem mais. Mais músicas que os bairros, e os poveiros, vão com certeza continuar a cantar.













