Sede

Data: 2009
Número de Imagens: 15
Dimensões: 52,5 x 52,5 cm

Na comemoração do Dia Mundial do Teatro, a 27 de Março de 2009, o Varazim Teatro estreou a peça Sede. Numa sociedade cada vez mais fútil e superficial, o espectáculo procurava, a partir do elemento Água, propor a reflexão sobre a nossa atitude e respeito para com aquilo que verdadeiramente necessitamos, trabalhando a ideia do Bem Essencial.
Com base na obra, escrita e encenada por Joana Soares, a associação procurou depois prolongar o conceito a outros autores, numa tentativa de continuar a meditação sobre o problema mundial que é a crescente escassez de água potável, e dessa ideia surgiu o convite que provocou esta série de imagens.
Sede é, antes de tudo, uma tentativa de invocar a atenção para a questão do consumo descomedido de água no panorama universal. Parte da premissa largamente enraizada que roda em torno da suspeição daquilo que poderá ser o nosso futuro próximo, e exagera uma possível resposta, tentando exigir uma mudança de rumo (pelo medo) que possa encaminhar-nos para uma solução.
O projecto trabalhou o convite e incitou uma pesquisa pelas questões com mais peso dentro deste panorama. Depois de uma busca junto do Pacific Institute (Information on the World’s Freshwater Resources), percebi que o problema acompanha o crescente consumo da água engarrafada, sendo que, até certo ponto, também é esse o factor que contribui para a crescente escassez da água no nosso planeta. Dessa forma, achei por bem que o público pudesse ser despertado por uma visão daquilo que pode ser a nossa realidade no espaço de apenas uma década, e lembrei-me de recriar um ambiente de consumo desse bem, onde o espectador deverá confundir o que é documental com o que é ficcionado, remetendo-se para uma introspecção da maneira como deve continuar a actuar.
As 15 imagens representam, por ordem, os 15 países do mundo onde o consumo de água engarrafada per capita é mais elevado. Abrangendo representações de quase todos os continentes, o conjunto partilha entre si a escassez, implícita pelas prateleiras vazias, e um elevado valor no preço praticado, convertido na unidade monetária vigente à data. Sendo este um problema mundial, esta coerência pretende mostrar a sua universalidade dentro de um panorama real, que anuncia (através de vários estudos) o fim da água potável num período que deve rondar apenas os 20 anos.